lundi 10 juin 2024

Há 13 anos atrás...

E 13 anos se passaram... como um vento desgovernado!!

Levando tanto das minhas convicções, de alguns sonhos, projetos, remodelando outros. 

O passar dos anos, implacável, me levou a tantas novas realidades que nem sei explicar. 

Era o ano que Milonzinho, agora MilonZ, meu amado aFILHOado nasceu e inaugurou em mim mais uma nova Milane das tantas que representam quem sou!

Me tornei tia, e mais que isso me tornei MADRINHA, a segunda mãe de alguém que hoje me sinto tipo irmã mais velha, amiga, colo e tento não ser nem 8 mas também não o seu 80!

Já virei o exemplo ruim, a má companhia, a "influenciadora" como seu meu moleque inteligente pra caramba pudesse ser influenciado por alguém! Ele é pura personalidade própria e por isso nos desafia constantemente, nos ofusca com sua luz, com a sua alegria fora de hora, lutando para ser feliz diante de tanto caos. 

E desse caos que falo eu entendo bem sem entender nadinha, mergulho em mim, mas as vezes são águas tão turvas, ou quem sabe turbulentas pelo agitar gigante de minhas pernas, braços procurando o chão desse mar onde a profundidade já é de um oceano!

Me perdi em mim!

E voltou aqui nessa tentativa de me reencontrar... Ainda não sei o que virá por aí, mas já posso dizer que estou bem disposta a reaprender a nadar! Sou o que sou! 


samedi 26 novembre 2011

O único lugar pra sempre

Acho que seu desejo morreu e talvez o meu também, já que boa parte desse amor enorme que eu sentia e sinto por você, vinha e venha da minha alegria desmesurada em me sentir amada pelos meus próprios sonhos.
Você encerrava em mim eu mesma e era uma loucura tudo, como eu sentia, como eu queria me vomitar e ensanguentar e explodir e rodopiar em mim até furar o chão como uma broca desgovernada e depois sair derrubando o mundo como o único pião que sabe a verdade e precisa chacoalhar seu entorno pra não enlouquecer sozinho.
Era uma loucura tudo.
Mas a morte, o fim, nós, andando calmos, ao lado um do outro, isso me permitiu estar de alguma forma sem querer habitar cada instante do estar e para isso me retirando o tempo todo.
E isso pode ser viver mas viver é terrível.
E antes, quando eu não sabia viver e me sentia amada, era ainda mais terrível.
Daí que sobra essa sensação de uma solidão filha da puta mil vezes pois em nada dá pra ser com você.
E tudo bem, não é você, nunca foi, mas escuta a maluquice: é que nada disso impede que eu sinta um amor absurdo por você.
Tati Bernardi

dimanche 1 mai 2011

Manual de instruções

Pode invadir ou chegar com delicadeza, mas não tão devagar que me faça dormir.
Não grite comigo, tenho o péssimo hábito de revidar.
Acordo pela manhã com ótimo humor mas ... permita que eu escove os dentes primeiro.
Toque muito em mim, principalmente nos cabelos e minta sobre minha nocauteante beleza.
Tenho vida própria, me faça sentir saudades, conte algumas coisas que me façam rir, mas não conte piadas e nem seja preconceituoso, não perca tempo, cultivando este tipo de herança de seus pais.
Viaje antes de me conhecer, sofra antes de mim para reconhecer-me um porto, um albergue da juventude.
Eu saio em conta, você não gastará muito comigo.
Acredite nas verdades que digo e também nas mentiras, elas serão raras e sempre por uma boa causa.
Respeite meu choro, me deixe sózinha, só volte quando eu chamar e, não me obedeça sempre que eu também gosto de ser contrariada.
( Então fique comigo quando eu chorar, combinado?).
Seja mais forte que eu e menos altruísta!
Não se vista tão bem... gosto de camisa para fora da calça, gosto de braços, gosto de pernas e muito de pescoço.
Reverenciarei tudo em você que estiver a meu gosto: boca, cabelos, os pelos do peito e um joelho esfolado, você tem que se esfolar as vezes, mesmo na sua idade.
Leia, escolha seus próprios livros, releia-os.
Odeie a vida doméstica e ame os agitos noturnos.
Seja um pouco caseiro e um pouco da vida, não de tanto de boate que isto é coisa de gente triste.
Não seja escravo da televisão, nem xiita contra.
Nem escravo meu, nem filho meu, nem meu pai.
Escolha um papel para você que ainda não tenha sido preenchido e o invente muitas vezes.



Me enlouqueça uma vez por mês mas, me faça uma louca boa, uma louca que ache graça em tudo que rime com louca: loba, boba, rouca, boca ...
Goste de música e de sexo. goste de um esporte não muito banal.
Não invente de querer muitos filhos, me carregar pra a missa, apresentar sua familia... isso a gente vê depois ... se calhar ...
Deixa eu dirigir o seu carro, que você adora.
Quero ver você nervoso, inquieto, olhe para outras mulheres, tenha amigos e digam muitas bobagens juntos. Não me conte seus segredos ... me faça massagem nas costas.
 Não fume, beba, chore, eleja algumas contravenções.
Me rapte!
Se nada disso funcionar ... experimente me amar!




lundi 18 avril 2011

O nosso amor a gente inventa...

O teu amor é uma mentira
Que a minha vaidade quer
E o meu, poesia de cego
Você não pode ver
Não pode ver que no meu mundo
Um troço qualquer morreu
Num corte lento e profundo
Entre você e eu
O nosso amor a gente inventa
Pra se distrair
E quando acaba a gente pensa
Que ele nunca existiu
O nosso amor
A gente inventa
Inventa
O nosso amor
A gente inventa
Te ver não é mais tão bacana
Quanto a semana passada
Você nem arrumou a cama
Parece que fugiu de casa
Mas ficou tudo fora de lugar
Café sem açúcar, dança sem par
Você podia ao menos me contar
Uma história romântica
O nosso amor a gente inventa
Pra se distrair
E quando acaba a gente pensa
Que ele nunca existiu
O nosso amor
A gente inventa
Inventa
O nosso amor
A gente inventa

mardi 1 février 2011

Traições, bofes & signos.

Traições, bofes & signos, por Evandro Santo.

Áries: O bofe de áries trai por impulso e depois se arrepende.Trai para se mostrar homem, trai para se mostrar macho, trai por competição.E você sempre descobre.Áries é um estabanado. 

Touro: O homem de touro trai preguiçosamente com alguém bem próximo, numa situação confortável.Trai com a secretária, com a estagiária, com sua própria irmã.Tudo em família.E tem tanto ciúmes de você, quanto da amante.Touro não tem amores, tem posses. 

Gêmeos: Gêmeos trai porque tem que levar adiante a sua cantada.Gêmeos adora contar um papo furado, uma lorota, te impressionar com alguma idéia ou caso.E adora ver você caindo feito top model inocente na passarela.Gêmeos trai e conta pra todo mundo.E aí que ele é pego. 

Câncer: Câncer trai por mágoa, câncer trai porque se sente sozinho, abandonado, preterido.Ao excluir um canceriano de uma situação de algum regozijo, ele vai parar nos braços de quem lhe oferecer mais conforto emocional, carinho e compreensão.Câncer não trai por sacanagem, trai por carência e nunca mais se perdoa. 

Leão: O leão trai por vaidade, para testar o seu poder de fogo, o seu poder de macho, para provar que é o rei.Muitos leoninos não chegam nem a trair, ficam só no flerte.Para eles, o importante é a ereção e o ego e não o seu penis.Quer manter um leonino fiel? Elogie-o 15 vezes por dia. 

Virgem: O virginiano trai por sacanagem, por farra, por putaria.Geralmente é um exímio marido, um excelente namorado, um exemplar noivo.Mas não consegue exercer o seu lado B com a parceira.Por isso, regozija em motéis, bordeis, suingues e saunas mistas.Benza Deus. 

Libra:O libriano trai porque vê romance em tudo.A idéia das pessoas apaixonadas por ele e a situação da paixão em si, deixam o nativo do ar em extase.O libriano seduz mulheres, homens, lésbicas, prostitutas, animais e carrinhos de rolimã.Tudo isso só para sentir o coração batendo mais forte.Ele não trai por sacanagem, ele trai porque é um escravo do romance perfeito 

Escorpião: Trai porque dói no outro, porque machuca o outro e porque escorpião sempre dá o troco em euro, mesmo que a pessoa tenha aprontado em real…ou pesos.Escorpião descobre os podres da pessoa, mas não fala, só para ver até onde a pessoa vai.Sinistro…excitante…meio amor grego. 

Sagitário: O sagitariano trai porque gosta de sacanagem, gosta da aventura, gosta da orgia.A idéia de fazer sexo com um monte de pessoas, empolga o nativo de fogo.Ele nem quer qualidade, ele quer quantidade e novidade.Depois, limpa o saco, olha pra frente e segue adiante.Danadinho. 

Capricórnio: Capricórnio trai para relaxar, porque tem uma vida dura, pois carrega o trabalho e a família nas costas.Ele trai para subir de cargo na empresa, para ganhar um título daquele clube, para manter a sogra abrindo a bolsa.Capricórnio não trai por tesão e nem por prazer.Capricórnio trai pelo poder.É no olimpo que ele goza. 

Aquário: O aquariano trai por experiência, por vontade de aprender mais sobre si e sobre o ser humano.Ele trai para quebrar convenções, para causar discussões, questionamentos e mudanças.Aquário trai porque é moderno e anarquista.Deus que me livre de amar um aquariano. 

Peixes: Peixes trai porque é sonso, porque não resiste a uma cantada.Não resiste a uma quenga, não resiste a uma travesti gostosa.Não resiste a uma.Peixes apronta muito e depois fica se remoendo.Espancá-lo não adianta, pois como disse antes, ele é sonso.

dimanche 2 janvier 2011

2011: UM ANO NOVINHO PRA RECOMEÇAR!!!!

E eu pretendo escrevendo mais por aqui...
Tanta coisa pra falar e em tão pouco tempo...
Eu sigo vivendo!

jeudi 9 septembre 2010

Amizade aqui, ali e em qualquer lugar!


Amizade que começou na Neuro e perpetua linda e sincera em qualquer circuntância!
Te amo, amiga!

mardi 7 septembre 2010

Gabiiiiii em Sampa, de novo!!!


Boooooooooom demais!!!!

Cabelinho novo!!!

Só que ainda escovadinho que era uma beleza...
05/09/2010

dimanche 5 septembre 2010

Nando Reis e Ana Canas - Pra Voce Guardei O Amor (Clipe Oficial)


Estou simplesmente multiplicadamente encantanda com a letra, os arranjos e toda a sonoridade de Nando Reis e Ana Cañas nesse clipe! Lindos!
E a letra fala por si...


"Pra você guardei o amor
Que nunca soube dar
O amor que tive e vi sem me deixar
Sentir sem conseguir provar
Sem entregar
E repartir

Pra você guardei o amor
Que sempre quis mostrar
O amor que vive em mim vem visitar
Sorrir, vem colorir solar
Vem esquentar
E permitir

Quem acolher o que ele tem e traz
Quem entender o que ele diz
No giz do gesto o jeito pronto
Do piscar dos cílios
Que o convite do silêncio
Exibe em cada olhar

Guardei
Sem ter porque
Nem por razão
Ou coisa outra qualquer
Além de não saber como fazer
Pra ter um jeito meu de me mostrar

Achei
Vendo em você
E explicação
Nenhuma isso requer
Se o coração bater forte e arder
No fogo o gelo vai queimar

Pra você guardei o amor
Que aprendi vendo meus pais
O amor que tive e recebi
E hoje posso dar livre e feliz
Céu cheiro e ar na cor que arco-íris
Risca ao levitar

Vou nascer de novo
Lápis, edifício, tevere, ponte
Desenhar no seu quadril
Meus lábios beijam signos feito sinos
Trilho a infância, terço o berço
Do seu lar

Guardei
Sem ter porque
Nem por razão
Ou coisa outra qualquer
Além de não saber como fazer
Pra ter um jeito meu de me mostrar

Achei
Vendo em você
E explicação
Nenhuma isso requer
Se o coração bater forte e arder
No fogo o gelo vai queimar

Pra você guardei o amor
Que nunca soube dar
O amor que tive e vi sem me deixar
Sentir sem conseguir provar
Sem entregar
E repartir

Quem acolher o que ele tem e traz
Quem entender o que ele diz
No giz do gesto o jeito pronto
Do piscar dos cílios
Que o convite do silêncio
Exibe em cada olhar

Guardei
Sem ter porque
Nem por razão
Ou coisa outra qualquer
Além de não saber como fazer
Pra ter um jeito meu de me mostrar

Achei
Vendo em você
E explicação
Nenhuma isso requer
Se o coração bater forte e arder
No fogo o gelo vai queimar"

lundi 30 août 2010

Muito Pouco

"Pronto
Agora que voltou tudo ao normal
Talvez você consiga ser menos rei
E um pouco mais real
Esqueça
As horas nunca andam para trás
Todo dia é dia de aprender um pouco
Do muito que a vida traz.

Mas muito pra mim é tão pouco
E pouco é um pouco demais
Viver tá me deixando louca
Não sei mais do que sou capaz
Gritando pra não ficar rouca
Em guerra lutando por paz
Muito pra mim é tão pouco
E pouco eu não quero mais

Chega!
Não me condene pelo seu penar
Pesos e medidas não servem
Pra ninguém poder nos comparar
Porque
Eu não pertenço ao mesmo lugar
Em que você se afunda tão raso
Não dá nem pra tentar te salvar

Porque muito pra mim é tão pouco
E pouco é um pouco demais
Viver tá me deixando louca
Não sei mais do que sou capaz
Gritando pra não ficar rouca
Em guerra lutando por paz
Muito pra mim é tão pouco
E pouco eu não quero ...

...veja
A qualidade está inferior
E não é a quantidade que faz
A estrutura de um grande amor
Simplesmente seja
O que você julgar ser o melhor
Mas lembre-se que tudo que começa com muito
Pode acabar muito pior

E muito pra mim é tão pouco
E pouco é um pouco demais
Viver tá me deixando louca
Não sei mais do que sou capaz
Gritando pra não ficar rouca
Em guerra lutando por paz
Muito pra mim é tão pouco
E pouco eu não quero mais
Pouco eu não quero mais.
Pouco eu não quero mais."

E a emoção de Maria Rita cantando essa música fala ainda além da letra..

Já estou com saudades... AMO TANTO!!!!

jeudi 26 août 2010

Amando surpresas!!!!

E se todas as surpresas fossem assim, eu nunca mais iria reclamar delas mesmo!!
Hoje pela manhã ele me ligou: 
"-Tô aqui em Sampa, filhinha!! Eu e Larissa!"
Eu??
Fui na mesma hora encontrar com eles!!
Márcio não foi o primeiro amigo que tive na vida... Mas sem dúvida foi o primeiro que senti que amizade também é amor e que quando verdadeira é pra SEMPRE!!!
Te amo, paizinho!!
Tb te amo, Larissinha!

mercredi 25 août 2010

Saindo do casulo (ou pelo menos tentando)

Essas minhas ultimas sessões e reflexões me fizeram perceber que entre as piores coisas que eu poderia fazer comigo mesma eu fui fundo: me introspectei demais!
Ao que me parece entrei numa espécie de ostracismo onde mesmo eu tendo (e me forcando a ter) contato com outras pessoas eu estava tão alheia ao mundo e tão focada em meu mundinho interior que poucos foram aqueles que conseguiram penetrar essa carapaça solida...
O mais difícil foi perceber isso: o quanto tenho sido impaciente com o mundo , rabugenta muitas vezes... O quanto deixei enrugar minha alma!
Agora me percebo começando um movimento inverso ao que eu vinha fazendo nos últimos anos: agora vou de dentro para fora!
Quero reaprender a me surpreender, quero me aventurar, quero voltar a saber ouvir, quero minha pureza de volta, quero voltar a sentir A alegria das pequenas coisas!
Quero não pensar tanto, quero sentir mais!
Quero abrir as janelas e as portas da minha alma...
E quero nunca mais fechar?

Madrugada

De cólicas, cólicas, cólicas... Muitas cólicas!!
Fiquei ate agora assistindo Divã na TV a cabo. Muito bom!
O livro ficou entre aqueles que comecei e que enrolo pra terminar: aqueles que me fazem submergir tanto em meus pensamentos que ate me perco da leitura, dai quando vejo já se passaram dias e eu já perdi o fio da meada...
Agora fico aqui, deitada, cheia de cólica e o pensamento solto...

dimanche 22 août 2010

Domingueira com amigos!

Esse domingo tive a oportunidade de rever amigos tão queridos, e que sempre fazem tão bem!
Como me faz tão bem...

mercredi 18 août 2010

Mais um recomeço



Hoje finalmente o frio deu uma pequena trégua e o sol voltou a brilhar forte em São Paulo.
Já era umas 15:30hs quando resolvi finalmente voltar a encarar uma caminhada no Parque do Ibirapuera, já que meses antes da cirurgia aquilo pra mim já era um ritual.
Me agasalhei devidamente, botei Miruê na coleira e fomos juntas nos reaventurar. Ela ficou tão eufórica que me deu aquela culpa de tê-la privado disso por tanto tempo.
O sol já estava iniciando aqueles tons de dourado-alaranjado, o parque nem estava tão cheio como o habitual para o horário.
O que achei curioso foi o tanto de pessoas com máquinas fotográficas, os tantos cliques que vi sendo desparados pra todos os lados: cliques de galhos de árvores retorcidos, dos gansos e patos, da natureza ao longe, da lagoa tão fria que nem as aves aventuravam um mergulho, de pequenos pássaros diferentes junto ao chão escapando do frio do topo das árvores, de pessoas, crianças, sorrisos, sorrisos... Hoje o Parque do Ibirapuera estava num dia feliz e eu não pude deixar de compartilhar essa alegria.
Fui me animando tanto que até ultrapassei o meu limite pré-estabelecido para um recomeço. Quando vi já tinha dado toda aquela volta a que estava acostumada, mas depois de muito tempo e esforço, meses antes de operar. No final, estávamos eu, e Miruê, esbaforidas, praticamente nos arrastando.
Comemoramos com água de côco com o senhorzinho que fica sempre na saída pro Portão 5. Fiquei surpresa quando ele me perguntou como eu estava e que já vinha se perguntando por onde andaria a moça da cachorrinha que nunca mais tinha aparecido. Contei a ele minhas últimas aventuras e ficamos lá por meia hora, enquanto eu bebia a garrafinha aos poucos, conversando sobre a vida, metas e saber viver.
Voltei pela trilha do portão 5 feliz por viver momentos simples, com o vento frio me lembrado que já era mesmo hora de voltar.

DOIDAS&santas

Estou no começo do meu desespero e só vejo dois caminhos: ou viro doida ou santa.
" São versos de Adélia Prado, retirados do poema "A serenata".
Ele narra a inquietude de uma mulher que imagina que mais cedo ou mais tarde um homem virá arrebatá-la, logo ela que está envelhecendo e está tomada pela indecisão – não sabe como receber um novo amor não dispondo mais de juventude.
E encerra: "De que modo vou abrir a janela, se não for doida? Como a fecharei, se não for santa?"
Adélia é uma poeta danada de boa.
E perspicaz.
Como pode uma mulher buscar uma definição exata para si mesma estando em plena meia-idade, depois de já ter trilhado uma longa estrada, onde encontrou alegrias e desilusões, e tendo ainda mais estrada pela frente?
Se ela tiver coragem de passar por mais alegrias e desilusões – e a gente sabe como as desilusões devastam - ,
terá que ser meio doida.
Se preferir se abster de emoções fortes e apaziguar seu coração, então a santidade é a opção.
Eu nem preciso dizer o que penso sobre isso, preciso?
Mas vamos lá. Pra começo de conversa, não acredito que haja uma única mulher no mundo que seja santa.
Os marmanjos devem estar de cabelo em pé: como assim, e a minha mãe???
Nem ela caríssimos, nem ela.
Existe mulher cansada, que é outra coisa.
Ela deu tanto azar em suas relações que desanimou.
Ela ficou tão sem dinheiro de uns tempos pra cá que deixou de ter vaidade.
Ela perdeu tanto a fé em dias melhores que passou a se contentar com dias medíocres.
Guardou sua loucura em alguma gaveta e nem lembra mais.
Santa, mesmo, só Nossa Senhora, mas, cá entre nós, não é uma doideira o modo como ela engravidou?
(Não se escandalize, não me mande e-mails, estou brin-can-do.)
Toda mulher é doida. Impossível não ser.
A gente nasce com um dispositivo interno que nos informa desde cedo que, sem amor, a vida não vale a pena ser vivida, e dá-lhe usar nosso poder de sedução para encontrar the big one,
aquele que será inteligente, másculo, se importará com nossos sentimentos e não nos deixará na mão jamais.
Uma tarefa que dá para ocupar uma vida, não é mesmo?
Mas além disso temos que ser independentes, bonitas, ter filhos e fingir de vez em quando que somos santas, ajuizadas, responsáveis, e que nunca, mas nunca, pensaremos em jogar tudo pro alto e embarcar num navio pirata comandado pelo Johnny Depp, ou então virar louca e cafetina, ou sei lá, diga aí uma fantasia secreta,
sua imaginação deve ser melhor que a minha.
Eu só conheço mulher louca.
Pense em qualquer uma que você conhece e me diga se ela não tem ao menos três dessas qualificações: exagerada, dramática, verborrágica, maníaca, fantasiosa, apaixonada, delirante.
Pois então. Também é louca. E fascina a todos.
Todas as mulheres estão dispostas a abrir a janela, não importa a idade que tenham.
Nossa insanidade tem nome: chama-se Vontade de Viver até a Última Gota.
Só as cansadas é que se recusam a levantar da cadeira para ver quem está chamando lá fora.
E santa, fica combinado, não existe.
Uma mulher que só reze, que tenha desistido dos prazeres da inquietude, que não deseje mais nada?
Você vai concordar comigo: só se for louca de pedra.

mardi 17 août 2010

Vontadinha que dá e passa

Quero escrever...


....

.... 




Mas o frio não deixa.

lundi 16 août 2010

Alegria na tristeza, Martha Medeiros

A Alegria na Tristeza

O título desse texto na verdade não é meu, e sim de um poema do uruguaio Mario Benedetti. No original, chama-se "Alegría de la tristeza" e está no livro "La vida ese paréntesis" que, até onde sei, permanece inédito no Brasil.

O poema diz que a gente pode entristecer-se por vários motivos ou por nenhum motivo aparente, a tristeza pode ser por nós mesmos ou pelas dores do mundo, pode advir de uma palavra ou de um gesto, mas que ela sempre aparece e devemos nos aprontar para recebê-la, porque existe uma alegria inesperada na tristeza, que vem do fato de ainda conseguirmos senti-la.

Pode parecer confuso mas é um alento. Olhe para o lado: estamos vivendo numa era em que pessoas matam em briga de trânsito, matam por um boné, matam para se divertir. Além disso, as pessoas estão sem dinheiro. Quem tem emprego, segura. Quem não tem, procura. Os que possuem um amor desconfiam até da própria sombra, já que há muita oferta de sexo no mercado. E a gente corre pra caramba, é escravo do relógio, não consegue mais ficar deitado numa rede, lendo um livro, ouvindo música. Há tanta coisa pra fazer que resta pouco tempo pra sentir.

Por isso, qualquer sentimento é bem-vindo, mesmo que não seja uma euforia, um gozo, um entusiasmo, mesmo que seja uma melancolia. Sentir é um verbo que se conjuga para dentro, ao contrário do fazer, que é conjugado pra fora.

Sentir alimenta, sentir ensina, sentir aquieta. Fazer é muito barulhento.

Sentir é um retiro, fazer é uma festa. O sentir não pode ser escutado, apenas auscultado. Sentir e fazer, ambos são necessários, mas só o fazer rende grana, contatos, diplomas, convites, aquisições. Até parece que sentir não serve para subir na vida.

Uma pessoa triste é evitada. Não cabe no mundo da propaganda dos cremes dentais, dos pagodes, dos carnavais. Tristeza parece praga, lepra, doença contagiosa, um estacionamento proibido. Ok, tristeza não faz realmente bem pra saúde, mas a introspecção é um recuo providencial, pois é quando silenciamos que melhor conversamos com nossos botões. E dessa conversa sai luz, lições, sinais, e a tristeza acaba saindo também, dando espaço para uma alegria nova e revitalizada. Triste é não sentir nada.