dimanche 29 octobre 2006

ÁRVORE DE LIMAS (A Dúvida)


"Aceita o que a vida lhe dá de uma maneira muito complexa, odeia brigar, o estresse, e o trabalho, mas não gosta de preguiça e a ociosidade, é suave e sabe ceder, faz sacrifícios pelos amigos, tem muito talento, mas não o suficiente tenaz para explorá-los, se lamenta e se queixa um pouco, é uma pessoa muito zelosa e leal."
Flávia Bittencourt

Achei essa pérola aqui no YouTube...
Dessa amiga que sempre deixa saudades!!!
Flávia não é linda????

dimanche 22 octobre 2006

Outra versão dos ocorridos no morro da Providência


"O Morro da Providência foi à primeira favela construída no Rio de Janeiro. Abrigou as famílias de soldados de guerra e com os passar dos anos, transformou-se no pólo das famílias de portuários. Ainda hoje, a comunidade é constituída pelos netos e bisnetos destas famílias, além de brasileiros vindos de todos os lugares, que escolhem a comunidade nas margens do centro da cidade para morar, seja pela proximidade das oportunidades de trabalho formal ou informal. Mais na última semana, noticias de uma guerra no morro da Providência, fizeram-me reviver lembranças quase esquecidas.

No noticiário da manhã de quinta-feira, nós, cariocas, fomos brindados com mais uma cena chocante, a de mais uma estudante morta por bala perdida. Esta, tinha vinte um anos e morreu enquanto dormia numa ação da policia, mas precisamente do Batalhão de Operações Especiais, o BOPE.

Segundo a polícia, a ação - que se iniciou durante a madrugada - tinha o objetivo de cumprir dez mandados de prisão, incluindo o suposto assassino de Priscila Belfort, irmã do lutador de Vale Tudo, Victor Belfort. Como de praxe, a versão oficial dos acontecimentos é sempre diferente, ou no mínimo, conflitante se comparada aos relatos dos moradores. Esta prerrogativa é comum, já que nossa imprensa tende a acreditar ou divulgar a história das fontes oficiais. E, também, porque poucos são aqueles que emitem suas vozes no meio destas tragédias.

Contudo, como disse, o noticiário particulamente remeteu-me às cenas vistas quando criança da laje de casa. A feroz vigilância no final da tarde de verão, fazia-se necessária, pois costumeiramente a policia estava no morro, sempre na mesma venda pegando o pagamento da semana. Mediante a isto, nenhuma criança do larguinho ousava descer para comprar bala naquele horário.

Entretanto, a recordação mais amarga é a de uma arma apontada para minha cabeça, com apenas seis anos de idade por um policial no quintal de casa. Felizmente, esses sustos fazem muito tempo que ficaram menos rotineiro, mas às vezes retorna como na manha daquela quinta-feira.

Até hoje, minha cabeça dá voltas por um motivo simples: como morei lá e conheço os atores sociais desta tragédia. E, talvez até tenha a confiança de muitos para ouvir os boatos, versões e noticias das 'rádios becos'. Além disso, também posso dizer que sei distinguir as principais vias da comunidade muito bem, a ponto de ficar com um carrapato atrás das orelhas diante da versão oficial do incidente.

Assim, fica difícil acreditar num policial que vira para as câmeras de televisão e diz - apontando para o lado direito do morro – que os disparos foram efetuados pelos bandidos localizados no alto naquela direção, quando sei que geograficamente o alto do morro fica do outro lado, o esquerdo.

Minha incredulidade ainda é motivada pela a quantidade de balas cravejadas nas paredes da casa da estudante. A sensação de qualquer observador é que a casa foi metralhada, ou alguém já viu diversas balas perdidas irem para a mesma direção? Diante de tantas incoerências, no fim de semana, conversei com uma fonte da favela sobre a ação da policia. E, o que ouvi dela, veio ao encontro das minhas resignações.

Segundo esta fonte, o BOPE chegou de madrugada surpreendendo os "garotos" – ela os chama desta maneira -, não existindo troca de tiros entre o BOPE e eles. Os criminosos estariam encurralados no quintal dela, comunicando-se por rádio. Após muitos disparos e bombas – há diversas vidraças quebradas - os criminosos teriam pulado para outro quintal, onde foram presos.

Ela cita ainda, que uma prova da ausência de resistência, ou melhor, da possibilidade dela seria que os próprios polícias de baixo pediram para os colegas de cima pararem de atirar, pois estavam pondo em risco os companheiros e jornalistas presentes no local. E, após a interrupção, nem mais um tiro soou.

Mais do que isso, ela afirma que os traficantes só estariam vivos devido à ação dos moradores X e Y. Eles teriam supostamente impedido o cumprimento da ordem de execução do chefe da BOPE. Ainda, a mãe de um deles apareceu, começando a gritar e tirar a roupa para chamar atenção da imprensa. Somente após isto, eles teriam sido deslocados para a quadra no pé do morro já presos. A fonte também diz que a estudante foi socorrida pelos moradores da favela, e não pela polícia.

Semana passada, pela segunda vez, a polícia esteve na casa onde a estudante foi morta. Segundo relatos de outros dois moradores, nada foi modificado dentro da casa, até mesmo na hora do assassinato, os vizinhos se preocuparam em não deixar ninguém limpar o sangue da estudante para assim, a imprensa filmar a cena da real do assassinato.

Mas para eles, a realidade é que não modificar a cena do crime de nada auamenta as chances de prisão dos culpados, ou melhor, de uma investigação coreta apesar dos esforços da imprensa e da perícia. O senso de injustiça no patamar social é unânime. Para eles, a única justiça existente para favelados, ou seja, pobres é a Lei de Deus.

Quanto à estudante morta, contaram que ela foi dormir na casa da tia para não ficar sozinha, pois a outra tia que morava com ela estava no Hospital, passando a noite com um irmão doente.

O que impressiona são os detalhes da narrativa dos moradores, além de que as denúncias não são novidades. Para quem assistiu os documentários 'Noticias de uma guerra particular' da Kátia Lund e Moreira Salles, ou mesmo, o 'Falcão – Meninos do tráfico', do MV Bill e Celso Athayde, ou ainda, para uma ex-moradora do morro da Providência, o fato faz parte da banalidade comum existente no alto dos nossos morros.

E, as perguntas que ficam martelando são sempre as mesmas: por que, quando e como a policia poderá cumprir mandados sem julgar a favela como território livre. Não discute-se a necessidade da intervenção da polícia nas favelas, mas é incocebível que em pelono século vinte um ainda não exista um serviço de inteligência no Rio de Janeiro.

O resultado é um ódio crescente nas massas pobres, criando um estigma e um ciclo de vida ou seria de uma pré-morte perpetua para nossos policiais, que no fim de tudo é a mesma presente nestes ex-garotos, desde que entram para a fábrica do tráfico.
Apenas um desabafo..."


Tatiana Lima, em junho de 2006
Tel: 21-9589-7892
Email: thatylima@gmail.com

mardi 17 octobre 2006

Do Amor E Outros Demônios

Capítulo 5

"Ao terminar, Cayetano tomou a mão de Sierva María e a pôs sobre seu coração.

Ela sentiu lá dentro o fragor da tempestade.

- Estou sempre assim - disse ele.

E sem lhe dar tempo ao pânico, libertou-se da matéria turva que o impedia de viver.

Confessou que não passava um instante sem pensar nela, que tudo que bebia e comia tinha gosto dela, que a vida era ela a toda hora e em toda parte, como só Deus tinha o direito e o poder de ser, e que o gozo supremo de seu coração seria morrer com ela.
Continuou falando sem a fitar, com a mesma fluidez e o mesmo calor com que recitava, até que teve a impressão de que Sierva María tinha dormido.
Mas ela estava atenta, fixos nele os seus olhos de corça assustada.

Apenas se atreveu a perguntar:
- E agora?

- Agora nada - disse ele. - Basta que saibas."

Gabriel García Márquez

lundi 16 octobre 2006

Entre os Bocas...

Eu, Gian (meu garçom mais dedicado, que me arranja um pf daqueles nos arraiais) e Capirango (o dr. candidato das massas)!!!

Tive neste feriado um dos mais com certeza estranhos da minha vida, apenas com 3 considerações maravilhosas:
1. Estive entre os meus lá em Guarulhos
2. Vi Gióbs, amiga, irmã e foi como se voltasse aos tempos do HASP por alguns segundos.
3. Estar com esses BOCAS: Sérgio e Gian, amigos que conheci em situações totalmente diversas, em tempos totalmente diferentes, e que me conheceram de uma forma bem individual, cada um ao seu gosto, hahhaha!
E o resultado disso tudo foi uma tremenda coincidência ao descobrir que estas figuras eram nada mais nada menos que primos!!!!
Coisas boas que a vida nos prega pra dar mais alegria ainda aos nossos dias!!!

ADORO VCS, PIQUENOS!!!!!
E a saudade já tá voltando a contar seus segundos pra acabar de novo!!!!

mercredi 11 octobre 2006

Quase um hino em minha vida....

Háááá, essa é a Giga, a "reta", a minha R1 maluca que eu adooooooro!!! Mais um dia de plantão a mil, mas rolou até sorvete: relamente, a gente se ferra se divertindo em grande estilo, heheheheheh!!!

E essa música abaixo é quase que um hino pra tudo que sou hoje, que estou vivendo agora...
Estamos apenas começando MESMO!!!!

Metal Contra as Nuvens, Renato Russo

I

"Não sou escravo de ninguém
Ninguém senhor do meu domínio
Sei o que devo defender
E por valor eu tenho
E temo o que agora se desfaz.

Viajamos sete léguas
Por entre abismos e florestas
Por Deus nunca me vi tao só
É a própria fé o que destrói
Estes sao dias desleais.

Sou metal - raio, relâmpago e trovão
Sou metal, eu sou o ouro em seu brasão
Sou metal: me sabe o sopro do dragão.

Reconheço o meu pesar:
Quando tudo é traição
O que venho encontrar
É a virtude em outras mãos.
Minha terra

É a terra que é minha
E sempre será
Minha terra
Tem a lua, tem estrelas e sempre terá

II

Quase acreditei na sua promessa
E o que vejo é fome e destruição
Perdi a minha sela e a minha espada

Perdi o meu castelo e minha princesa

Quase acreditei, quase acreditei
E, por honra, se existir verdade

Existem os tolos e existe o ladrão
E há quem se alimente do que é roubo.
Mas vou guardar o meu tesouro

Caso você esteja mentido
Olha o sopro do dragão!

III

É a verdade o que assombra,
O descaso o que condena,
A estupidez o que destrói.
Eu vejo tudo o que se foi

E o que não existe mais.

Tenho os sentidos já dormentes,
O corpo quer, a alma entende.
Esta é a terra-de-ninguém
E sei que devo resistir
Eu quero a espada em minhas mãos!

Sou metal - raio, relâmpago e trovão
Sou metal, eu sou o ouro em seu brasão
Sou metal: me sabe o sopro do dragão.

Não me entrego sem lutar ainda coração
Não aprendi a me render
Que caia o inimigo então.

IV

Tudo passa, tudo passará.
Tudo passa, tudo passará...
Tudo passa, tudo passará!

E nossa estória, não estará
Pelo avesso assim
Sem final feliz.
Teremos coisas bonitas pra contar.

E até lá, vamos viver
Temos muito ainda por fazer.
Não olhe para trás
Apenas começamos."
O mundo começa agora:Apenas começamos."

mardi 10 octobre 2006

De que morrem os médicos?

"Os Médicos também morrem" diz um provérbio popular.
É óbvio.
E provavelmente morrem antes de muitos de seus pacientes.

As estatísticas demonstram que os médicos não vivem muito, ocupam o sexto lugar mundial em longevidade no mundo.
A historia também demonstra isso.

Frederick Bauting, o descobridor da insulina, morreu aos 49 anos de idade.
Claude Bernard pai da fisiologia moderna, morreu aos 65 anos.
Albert Calmette, o descobridor da vacina da tuberculose, aos 59 anos.

O medico é o profissional que mais se expõe ao stress.

A razão é óbvia: lida com o mais valioso que tem o homem: sua saúde e sua vida.

O médico divide com seu paciente sua doença e seu sofrimento.

Este stress faz com que ele, em muitas ocasiões, tenha tendência para abusar do álcool e não poucos caem nas redes das drogas.

A síndrome que em inglês recebe o nome de "Burn out" ("queimar se"), é mais comum entre os médicos do que entre os advogados, engenheiros, arquitetos ou farmacêuticos. Consiste em uma exaustão extrema psíquica e física. Ocorre quando o médico se sente incapaz para cumprir as funções que a sua profissão exige.

Na literatura, encontramos descrições de síndromes associadas às atividades profissionais dos médicos. A síndrome do "Burn out" ou síndrome do estresse profissional tem sido reconhecida como uma condição experimentada por profissionais que desempenham atividades em que está envolvido um alto grau de contato com outras pessoas. Esta síndrome tem sido definida como uma resposta ao estresse emocional crônico intermitente.

A síndrome do "Burn out" em profissionais da área de saúde é composta por sintomas somáticos, psicológicos e comportamentais.

Os sintomas compreendem: exaustão, fadiga, dor de cabeça, distúrbios gastro-intestinais, insônia e dispnéia. Humor depressivo, irritabilidade, ansiedade, rigidez, negativismo, ceticismo e desinteresse são os sintomas psicológicos. Um profissional que está "burning-out" tende a criticar tudo e todos que o cercam, tem pouca energia para as diferentes solicitações de seu trabalho, desenvolve frieza e indiferença para com as necessidades e o sofrimento dos outros, tem sentimentos de decepção e frustração e comprometimento da auto-estima (RODRIGUES, 1998).

Na Residência Médica, o estresse atinge o seu ápice. Os desencadeantes são vários: período de transição aluno-médico, fadiga, sobrecarga de trabalho, pavor de cometer erros e estão associados a diversas expressões psicológicas que incluem: estados depressivos, consumo excessivo de álcool, adição a drogas, raiva crônica e o desenvolvimento de um amargo ceticismo e um irônico humor negro.

Os médicos emocionalmente desajustados revelam algumas características comportamentais, das quais se destacam as seguintes (NOGUEIRA-MARTINS, 1991):
Uma dureza e frieza no contato com os pacientes e com as pessoas de um modo geral. O convívio familiar é interrompido ou postergado em função dos chamados e da agenda profissional.
O isolamento social faz com que o profissional se afaste do mundo não médico.
A negação dos problemas inerentes à profissão propicia ao desenvolvimento de atitudes arrogantes e aparentemente insensíveis.
A ironia e o humor negro que os médicos desenvolvem, em especial durante os anos de treinamento, é outra expressão de uma inadequada adaptação aos rigores da profissão.
Uma outra característica que revela desadaptação pode ser observada na atitude do profissional frente aos cuidados com a própria saúde
Uma variante do mesmo tema pode ser encontrada no profissional que, além de médico de si mesmo, se transforma em médico da própria família, dos amigos e conhecidos. Estes profissionais estão profundamente desconfortáveis e necessitando de ajuda.
Há uma preponderância do transtorno nas mulheres, possivelmente devido à dupla carga de trabalho que concilia a prática profissional e a tarefa familiar.

Com relação ao estado civil, tem-se associado a síndrome mais com as pessoas sem parceiro estável. Algo diferente do estresse genérico, a Síndrome de "Burn out" geralmente incorpora sentimentos de fracasso. Seus principais indicadores são: cansaço emocional, despersonalização e falta de realização pessoal.

Infelizmente a síndrome do "Burn out" vem aumentando entre os médicos. A sociedade exige-lhe um padrão de vida elevado. Mas sua profissão não lhe produz rendimento suficiente e obriga o a cumprir jornadas exaustivas de 12 ou 14 horas ao dia.

Em resumo, há na literatura evidências sugestivas de que uma parcela da população médica - 8% a 10% - seja um grupo de risco em relação a distúrbios emocionais, com maior vulnerabilidade psicológica.

A insalubridade psicológica inerente à tarefa médica pode ser um importante fator desencadeante de distúrbios emocionais em estudantes, residentes e médicos predispostos ou mais vulneráveis (NOGUEIRA-MARTINS, 1989/90).

Que podem fazer os médicos para melhorar esta situação?

Diversos recursos têm sido propostos para prevenir as conseqüências do trabalho médico. A mais importante medida é a inclusão da Psicologia Médica nos cursos de medicina, orientando desde o inicio os estudantes para os contratempos da profissão.

Algumas medidas preventivas podem ser citadas e colocadas em prática:
- Realizar exercícios saudáveis

- modificar determinados comportamentos que o prejudiquem
- Comer alimentos ios físicos e de relaxamento
- Administrar o tempo de maneira gratificante
- Aprender a dizer NÃO
- Delegar tarefas
- Não se deixar vencer pela frustração
- Cultivar atitudes positivas
- Manter uma vida social ativa
- Não faltar aos encontros familiares ou com amigos

Os médicos continuam sendo os únicos trabalhadores especializados que têm de estar dispostos a atender seus pacientes 24 horas por dia.

São escravos de sua profissão e os escravos não são longevos.